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Descoberta proteína que faz com que células cancerosas se multipliquem

Revelação pode ajudar a entender melhor como ocorrem metástases


Cientistas britânicos descobriram uma proteína que inibe o câncer em pessoas saudáveis, mas que, em outras, pode causar a disseminação de tecidos doentes de um órgão para o outro, a chamada metástase. A revelação ajuda a entender melhor o funcionamento da doença e pode levar a novos tratamentos.

A proteína, chamada de P53, sofre essa transformação em 50% de todos os tumores. Isso significa que a descoberta pode, eventualmente, levar ao controle da doença em milhares de pacientes a cada ano. Nove entre cada 10 mortes por câncer são causadas por metástases.

Para os pesquisadores, entender os fundamentos básicos que levam uma célula cancerosa a se mover da área inicialmente afetada e se multiplicar, atacando outras áreas do corpo, é a chave para desenvolver novas terapias e aumentar as taxas de sobrevivência da doença. Esse processo é muito difícil de ser reproduzido em laboratório e, por isso, os progressos nessa área têm sido lentos.

- Essa descoberta é muito importante porque não estamos lidando com um evento raro e sim com algo que afeta um grande número de pessoas - diz a pesquisadora Karen Vousden, do Instituto Britânico de Pesquisas do Câncer, uma das autoras do estudo, publicado na revista "Cell". - Entender o que causa esse erro nas células, fazendo com que elas se multipliquem desordenadamente, pode nos ajudar a encontrar uma forma de corrigir essa falha.

Identificados genes que causam tumores no cérebro Em outro estudo, pesquisadores da Universidade de Columbia, descobriram dois genes que parecem ser responsáveis pelo glioblastoma, um dos mais agressivos tipos de câncer do cérebro. Os genes - C/EPB and Stat3 - são ativados em 60% dos casos de glioblastoma. Eles parecem atuar em sintonia para "ligar" outros genes que tornam as células do cérebro cancerosas, revela o estudo, publicado na revista "Nature".

Pacientes observados na pesquisa, que apresentavam evidências de ativação desses genes, morreram 140 semanas após o diagnóstico. Outros, nos quais esses genes não se encontravam ativos, sobreviveram além desse período. Segundo os pesquisadores, os dois genes atuam como controles gerais da doença.

- Quando ativados simultaneamente, eles fazem com que outros genes transformem as células do cérebro, que passam a crescer e migrar de forma agressiva - conta Antonio Iavarone, principal autor do estudo. - Com essa descoberta, podemos buscar uma combinação de remédios que iniba a ação desses dois genes.


(O Globo, 29/12)