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Edição Agosto/2007 |
O Muro Diversão & Arte |
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César Henriques O tempo, inexorável meio onde me escondo e vivo, Onde traio minhas vontades, subjugo meus encantos fúteis, Lugar comum de iguais, lar feliz de combativos, Heróis que são não mais do que heróis inúteis. O tempo passa em mim, eu passo no tempo deixando, A parte que me cabe, marca de indeléveis prantos, Vem o momento paro, olho o passado, estou pensando, Onde está o tempo que me trouxe ao hoje em que me encontro? Hoje não mais o tenho, pra buscar o meu perdido, Mas do que vale esse querer, ter de volta esse passado, Se não posso ter para mim, o meu ontem proibido? Nas batalhas que eu travo, tentando viver comigo, Me encontro neste agora, feliz por ter encontrado, do primeiro a este verso, o meu instante vivido. César Henriques Mãos que tocam meu corpo, me desmintam, A saga do meu prazer indomável, Entre falanges te darei meu tudo, Vida que sai de mim, para ser meu nada. Ágeis toques, que se levante o cerne, Que me envolve a mim, de sensações fatais, Mais que de súbito, lacteamente
o êxtase, E todo o meu prazer entre mãos se esvai. De Príapo, tenho tudo, em todos os
momentos Das mãos que me consolam, resta inda pulsante, Parte do meu corpo na ânsia de mulher. Antes fossem mãos, obras condenadas, Pra que todo o meu prazer já não tão vivo o bastante Nunca fosse absorvido, num lugar qualquer... Denílson Rocha Dedicado a Cristina Conserva Conta comigo sem duvidar, em qualquer segundo, em mil lugares do mundo. Conta comigo às quatro da manhã de domingo, debaixo de chuva, com febre de quarenta. Conta sim, experimenta! Não faz conta, apenas conta. Conta comigo e me conta até o que não é da minha conta. Se está feliz, cansada ou tonta, Corre pra mim, me conta, que eu te conto. Por que estou sempre tão pronto. Não duvida, divida comigo um conto. Sentado ao teu lado, encantado, Braço dado, caminho partilhado. Te digo com toda razão, ou não. Te digo de bate-pronto, ou nem tanto. O porquê de ser assim. Esse encanto teu em mim. José Alves Sobrinho Adeus violinha, Até não sei quando... Porém, stou pensando Que até nunca mais, Levo por lembrança, Da nossa amizade, Bastante saudades, Soluços e ais. Por motivo justo Que não te declaro, De te me separo Viola querida, Porém não esqueço Que em dias maiores Me deste os melhores Momentos da vida. Uni-me contigo Ainda menino, Muito pequenino, Sem forças, sem planos, E dessa união De ingênua criança Fiz-te a esperança Dos meus quinze anos. Levaste-me à salas Granfinas e nobres, De ricos e pobres, Burgueses, ricaços, Num mundo de sonhos, Prazeres e glórias, Eu tive vitórias Contigo nos braços. Andei pelo mundo Vivi muitas vidas Mulheres, bebidas, Castelos e sonhos, Sem nunca pensar Na realidade Da adversidade Dos dia medonhos. No mundo dos versos Enfrentei campanhas, E em terras estranhas Fui bem acolhido, Joguei com o naipe Dos maiores trunfos Pensando em triunfos Foi tudo perdido! A aurora da vida Foi bela e fagueira, Embora, ligeira, Qual um furacão, Que as horas alegres São mais fugidias Que as horas vazias Da desolação. Adeus mocidade, Doces primaveras, Benditas quimeras, Feliz paraíso, O último pranto O tempo enxugou E a idade apagou O último riso. Saudades infindas Das horas felizes Abrem cicatrizes No meu coração, E desiludido Das glórias terrenas Vou viver apenas Da recordação. Adeus companheiros E velhos amigos Colegas antigos Que eu chamava irmãos, Desmancho o cenário Fim do episódio Sem mágoas sem ódio, Sem nada nas mãos. Aos velhos colegas Deixo o meu abraço Neste humilde traço De minha saudade E aos jovens poetas De Dom positivo Dou como incentivo A minha amizade. E volto ao silêncio Do anonimato Já que o mundo ingrato Não me compreendeu E vendo que tudo É cheio de falhas Desprezo as medalhas Que o mundo me deu. E tu ó violinha Amada e querida Guarda minha vida No teu abandono, Pede as estas cordas Que tocaram tanto Solucem no pranto Da dor do teu dono. Muito agradecido Pelo que fizeste Tudo que me deste Do pão ao renome, Não mais ouviras Os meus estribilhos Fica com meus filhos Lembrando meu nome. POEMA FEITO DE IMPROVISO NO
TEATRO JOSÉ DE ALENCAR, EM 1995. POR ACASIÃO QUE
RECEBIA UMA HOMENAGEM DOS ESCRITORES FOLCLORISTAS GERALDO AMANCIO E WANDERLEY
PEREIRA. José Alves Sobrinho Fortaleza, terra amiga Aonde em anos atrás Cantei com bons cantadores, Muitos não existem mais: Martins Fonseca, Zé Aires, Repentistas invulgares Como Vicente Granjeiro, Bentevi, José Batista E outro grande repentista, José da Mota Pinheiro. Entre os vivos não esqueço O grande Antônio Ferreira, João Siqueira de Amorim, Também, Lourival Bandeira, Dimas Mateus, Zé Maria, Benoni, luz e poesia, Iluminando o sertão, Alberto e José Porfírio Fazem parte do delírio De minha recordação. Fortaleza de Galeno E de Leonardo Mota Seria grande injustiça Eu não lembrar de Leota E de Gustavo Barroso Pesquisador primoroso Das cantigas populares. Estão na mesma fileira Hoje Vanderley Pereira Ontem Francisco Linhares. Meu nobre amigo Siqueira Meu velho colega amigo Que felicidade a minha! Estar aqui junto contigo! Recebendo esta homenagem, Ouvindo a mesma mensagem, Sentindo a mesma alegria, Só assim recordaremos As noitadas que fizemos Cantando de parceria. Parece que a natureza Nos deu o mesmo destino: Você, poeta andarilho, Eu, poeta peregrino, Houve um poder contra nós: Você perdeu sua voz O mesmo me aconteceu, Somos nós dois mutilados, Dois passarinhos calados Que p destino emudeceu. Obrigado, Vanderley, Agradecido, Geraldo, Um no lugar de Leota, Outro, do Cego Aderaldo. Entre alegre e comovido Estou mesmo agradecido Aqui, penhoradamente, Por ganhar esta comenda Que não foi uma encomenda E eu recebo humildemente. E a vida continua, Estamos em Fortaleza, Não há motivos de angústia, Só de alegria e beleza, Pois recebo neste dia Mais do que mereceria Pela minha vida inteira, Depois deste grande saldo Muito agradeço a Geraldo E a Vanderley Pereira. João Martinho de Mendonça 1. Formigas mortas nas meias novas Fazem Pensar Na evolução das espécies, não das que rastejam, mas das que
flutuam: idéias que não morrem 2. Um mundo imaginário onde pousa lentamente meu coração Se descortina Para além da novela diária de odiosa, lancinante e farta
limitação 3. Aos que se soltam um belo presente será dado Ao olhar Diferentemente as luzes e as estrelas: discreto sorriso do
luar 4. Por mais que se sofra, se queixe, se deixe, se negue, se
esqueça ou se largue Vive-se Com o gozo à espreita na cama, no quarto, na rua, na sala, no
sonho ou na calçada 5. Porque ela não queria saber naquele dia sobre a revolução Do neolítico Inscrições rupestres, demoradas festas em seguidas noites
enluaradas: milho, trigo e arroz celebrados Janaina Lira Não tenho outra coisa para fazer, senão poesia Não tenho outra coisa para te dizer senão poesia Não tenho dor ou alegria, senão poesia Não tenho tempo, o tempo é poesia Não tenho amigos, senão poesia Não pretendo coisa alguma, senão poesia Não posso fazer outra coisa, senão poesia Não há nada aqui dentro Não há nada lá fora Mas tudo é poesia O mar é uma ínfima gota de água O resto e tudo mais é poesia A poesia me insiste, me instiga, me lambe Me acocha, me espreme, me espreita Me faz... E eu, Eu não sou poesia Manoel F. G. Filho Pérola rara, que bom sentimento... Viver o momento dos teus olhos nos meus Tão rara beleza que só em jóias se encontra Desse casual encontro, tão perto do céu. Descerrando o véu, do acaso vivido... Sinto-me servido por anjos em alegoria; Vislumbrar essa aura de rubra energia Minha sede sacia e nem sou menestrel! |