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Edição

Agosto/2007

O Muro

Diversão & Arte

 

 

 

 

 

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Poesia

  Prosa

 

Antonio Soares, IMPOSSÍVEL DO MAIS

Antonio Soares, MÃO DO OUTONO

César Henriques, INATINGÍVEL

César Henriques, DESVAIRADA

Chicão de Bodocongó, EU QUERO DIZER

Chicão de Bodocongó, ...BOL...BOL...BOL

Chicão de Bodocongó, E NADA MAIS

Chicão de Bodocongó, RESPONDENDO

Chicão de Bodocongó, A MERA OPINIÃO

Chicão de Bodocongó, O AMANHÃ

Denílson Rocha, CONTA QUE EU TE CONTO

Glaucio Souza de Oliveira, OCASIONADO

Glaucio Souza de Oliveira, Á DISTÂNCIA

Glaucio Souza de Oliveira, TUDO SER

Janaina Lira, TÉDIO

Janice Adja Costa, AGORA

Janice Adja Costa, NÃO MATE PRA NÃO MORRER

Janice Adja Costa, O PRESENTE PERFEITO

João Martinho de Mendonça, ENSAIOS POÉTICOS

José Alves Sobrinho, ADEUS VIOLINHA

José Alves Sobrinho, POEMA FEITO DE IMPROVISO

Lúcia Albuquerque, AMOR AMAR

Lúcia Albuquerque, MEU QUERER

Lúcia Albuquerque, BRISA LEVE

Luiz Gonzaga de Sousa, CAOS

Luiz Gonzaga de Sousa, O TOM DA VIDA

Luiz Gonzaga de Sousa, O RETORNO

Luiz Gonzaga de Sousa, O SOLITÁRIO

Manoel F. G. Filho, PÉROLA

Wallas Ramos, CONCÊNTRICO

Wallas Ramos, DESCONSTRUÇÃO

Wallas Ramos, Á FRENTE DO VERSO

Wallas Ramos, DOIS

Wallas Ramos, RETORNO

Wallas Ramos, CAÇADA

Wallas Ramos, QUARTETOS

 

 

 

 

INATINGÍVEL

 

César Henriques

 

O tempo, inexorável meio onde me escondo e vivo,

Onde traio minhas vontades, subjugo meus encantos fúteis,

Lugar comum de iguais, lar feliz de combativos,

Heróis que são não mais do que heróis inúteis.

 

O tempo passa em mim, eu passo no tempo deixando,

A parte que me cabe, marca de indeléveis prantos,

Vem o momento paro, olho o passado, estou pensando,

Onde está o tempo que me trouxe ao hoje em que me encontro?

 

Hoje não mais o tenho, pra buscar o meu perdido,

Mas do que vale esse querer, ter de volta esse passado,

Se não posso ter para mim, o meu ontem proibido?

 

Nas batalhas que eu travo, tentando viver comigo,

Me encontro neste agora, feliz por ter encontrado,

do primeiro a este verso, o meu instante vivido.

 

DESVAIRADA

 

César Henriques

 

Mãos que tocam meu corpo, me desmintam,

A saga do meu prazer indomável,

Entre falanges te darei meu tudo,

Vida que sai de mim, para ser meu nada.

 

Ágeis toques, que se levante o cerne,

Que me envolve a mim, de sensações fatais,

Mais que de súbito, lacteamente o êxtase,

E todo o meu prazer entre mãos se esvai.

 

De Príapo, tenho tudo, em todos os momentos

Das mãos que me consolam, resta inda pulsante,

Parte do meu corpo na ânsia de mulher.

 

Antes fossem mãos, obras condenadas,

Pra que todo o meu prazer já não tão vivo o bastante

Nunca fosse absorvido, num lugar qualquer...

 

CONTA QUE EU TE CONTO

 

Denílson Rocha

 

Dedicado a Cristina Conserva

 

Conta comigo sem duvidar,

em qualquer segundo,

em mil lugares do mundo.

Conta comigo às quatro da manhã de domingo,

debaixo de chuva, com febre de quarenta.

Conta sim, experimenta!

Não faz conta, apenas conta.

 

Conta comigo e me conta

até o que não é da minha conta.

Se está feliz, cansada ou tonta,

Corre pra mim, me conta,

que eu te conto.

Por que estou sempre tão pronto.

Não duvida, divida

comigo um conto.

 

Sentado ao teu lado, encantado,

Braço dado, caminho partilhado.

Te digo com toda razão,

ou não.

Te digo de bate-pronto,

ou nem tanto.

O porquê de ser assim.

Esse encanto teu em mim.

 

ADEUS VIOLINHA

 

José Alves Sobrinho

 

Adeus violinha,

Até não sei quando...

Porém, stou pensando

Que até nunca mais,

Levo por lembrança,

Da nossa amizade,

Bastante saudades,

Soluços e ais.

 

Por motivo justo

Que não te declaro,

De te me separo

Viola querida,

Porém não esqueço

Que em dias maiores

Me deste os melhores

Momentos da vida.

 

Uni-me contigo

Ainda menino,

Muito pequenino,

Sem forças, sem planos,

E dessa união

De ingênua criança

Fiz-te a esperança

Dos meus quinze anos.

 

Levaste-me à salas

Granfinas e nobres,

De ricos e pobres,

Burgueses, ricaços,

Num mundo de sonhos,

Prazeres e glórias,

Eu tive vitórias

Contigo nos braços.

 

Andei pelo mundo

Vivi muitas vidas

Mulheres, bebidas,

Castelos e sonhos,

Sem nunca pensar

Na realidade

Da adversidade

Dos dia medonhos.

 

No mundo dos versos

Enfrentei campanhas,

E em terras estranhas

Fui bem acolhido,

Joguei com o naipe

Dos maiores trunfos

Pensando em triunfos

Foi tudo perdido!

 

A aurora da vida

Foi bela e fagueira,

Embora, ligeira,

Qual um furacão,

Que as horas alegres

São mais fugidias

Que as horas vazias

Da desolação.

 

Adeus mocidade,

Doces primaveras,

Benditas quimeras,

Feliz paraíso,

O último pranto

O tempo enxugou

E a idade apagou

O último riso.

 

Saudades infindas

Das horas felizes

Abrem cicatrizes

No meu coração,

E desiludido

Das glórias terrenas

Vou viver apenas

Da recordação.

 

Adeus companheiros

E velhos amigos

Colegas antigos

Que eu chamava irmãos,

Desmancho o cenário

Fim do episódio

Sem mágoas sem ódio,

Sem nada nas mãos.

 

Aos velhos colegas

Deixo o meu abraço

Neste humilde traço

De minha saudade

E aos jovens poetas

De Dom positivo

Dou como incentivo

A minha amizade.

 

E volto ao silêncio

Do anonimato

Já que o mundo ingrato

Não me compreendeu

E vendo que tudo

É cheio de falhas

Desprezo as medalhas

Que o mundo me deu.

 

E tu ó violinha

Amada e querida

Guarda minha vida

No teu abandono,

Pede as estas cordas

Que tocaram tanto

Solucem no pranto

Da dor do teu dono.

 

Muito agradecido

Pelo que fizeste

Tudo que me deste

Do pão ao renome,

Não mais ouviras

Os meus estribilhos

Fica com meus filhos

Lembrando meu nome.

 

POEMA FEITO DE IMPROVISO NO TEATRO JOSÉ DE ALENCAR, EM 1995.

POR ACASIÃO QUE RECEBIA UMA HOMENAGEM DOS ESCRITORES FOLCLORISTAS GERALDO AMANCIO E WANDERLEY PEREIRA.

 

José Alves Sobrinho

 

Fortaleza, terra amiga

Aonde em anos atrás

Cantei com bons cantadores,

Muitos não existem mais:

Martins Fonseca, Zé Aires,

Repentistas invulgares

Como Vicente Granjeiro,

Bentevi, José Batista

E outro grande repentista,

José da Mota Pinheiro.

 

Entre os vivos não esqueço

O grande Antônio Ferreira,

João Siqueira de Amorim,

Também, Lourival Bandeira,

Dimas Mateus, Zé Maria,

Benoni, luz e poesia,

Iluminando o sertão,

Alberto e José Porfírio

Fazem parte do delírio

De minha recordação.

 

Fortaleza de Galeno

E de Leonardo Mota

Seria grande injustiça

Eu não lembrar de Leota

E de Gustavo Barroso

Pesquisador primoroso

Das cantigas populares.

Estão na mesma fileira

Hoje Vanderley Pereira

Ontem Francisco Linhares.

 

Meu nobre amigo Siqueira

Meu velho colega amigo

Que felicidade a minha!

Estar aqui junto contigo!

Recebendo esta homenagem,

Ouvindo a mesma mensagem,

Sentindo a mesma alegria,

Só assim recordaremos

As noitadas que fizemos

Cantando de parceria.

 

Parece que a natureza

Nos deu o mesmo destino:

Você, poeta andarilho,

Eu, poeta peregrino,

Houve um poder contra nós:

Você perdeu sua voz

O mesmo me aconteceu,

Somos nós dois mutilados,

Dois passarinhos calados

Que p destino emudeceu.

 

Obrigado, Vanderley,

Agradecido, Geraldo,

Um no lugar de Leota,

Outro, do Cego Aderaldo.

Entre alegre e comovido

Estou mesmo agradecido

Aqui, penhoradamente,

Por ganhar esta comenda

Que não foi uma encomenda

E eu recebo humildemente.

 

E a vida continua,

Estamos em Fortaleza,

Não há motivos de angústia,

Só de alegria e beleza,

Pois recebo neste dia

Mais do que mereceria

Pela minha vida inteira,

Depois deste grande saldo

Muito agradeço a Geraldo

E a Vanderley Pereira.

 

ENSAIOS POÉTICOS

 

João Martinho de Mendonça

 

1.

Formigas mortas nas meias novas

Fazem Pensar

Na evolução das espécies, não das que rastejam, mas das que flutuam: idéias que não morrem

 

2.

Um mundo imaginário onde pousa lentamente meu coração

Se descortina

Para além da novela diária de odiosa, lancinante e farta limitação

 

3.

Aos que se soltam um belo presente será dado

Ao olhar

Diferentemente as luzes e as estrelas: discreto sorriso do luar

 

4.

Por mais que se sofra, se queixe, se deixe, se negue, se esqueça ou se largue

Vive-se

Com o gozo à espreita na cama, no quarto, na rua, na sala, no sonho ou na calçada

 

5.

Porque ela não queria saber naquele dia sobre a revolução

Do neolítico

Inscrições rupestres, demoradas festas em seguidas noites enluaradas: milho, trigo e arroz celebrados

 

TÉDIO

 

Janaina Lira

 

Não tenho outra coisa para fazer, senão poesia

Não tenho outra coisa para te dizer senão poesia

Não tenho dor ou alegria, senão poesia

Não tenho tempo, o tempo é poesia

Não tenho amigos, senão poesia

Não pretendo coisa alguma, senão poesia

Não posso fazer outra coisa, senão poesia

Não há nada aqui dentro

Não há nada lá fora

Mas tudo é poesia

O mar é uma ínfima gota de água

O resto e tudo mais é poesia

 

A poesia me insiste, me instiga, me lambe

Me acocha, me espreme, me espreita

Me faz...

E eu,

Eu não sou poesia

 

PÉROLA

 

Manoel F. G. Filho

 

Pérola rara, que bom sentimento...

Viver o momento dos teus olhos nos meus

Tão rara beleza que só em jóias se encontra

Desse casual encontro, tão perto do céu.

 

Descerrando o véu, do acaso vivido...

Sinto-me servido por anjos em alegoria;

Vislumbrar essa aura de rubra energia

Minha sede sacia e nem sou menestrel!